sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Consciente ou inconscientemente estou sempre à espera que o início de um Novo Ano Civil coincida com o início de um Novo Ciclo de Vida. Um Novo Ciclo que se espera sempre  melhor que o  anterior.
Mesmo com uma crise  instalada e  após o anúncio de novas medidas de austeridade ( só para alguns, nos quais me incluo),  secretamente espero sempre que  qualquer coisa de  grande e maravilhoso  aconteça na minha vida, no  Novo Ano.
Mas há muito tempo que aprendi a não fazer projectos porque a Vida tem o condão de me surpreender constantemente e de me trocar as voltas.
E aqui estou eu, mais uma  vez, de braços abertos pronta para te abraçar.  Já te perdoei tudo o que de pior aconteceu e espero ansiosa por aquilo que me vais dar agora.
Acho que apesar de tudo, estou feliz e confiante. Porquê? Porque te adoro Vida e adoro Recomeços.   - GVP

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Foi um tempo estranho e não consigo entender o sentido das coisas…
Tudo tem um propósito e se ainda não sei, um dia saberei.
Quando chegar o momento, saberei. Confio Nele.
E continuo a renascer todos os Natais,
segura dos meus passos.
Sigo apenas a Luz da Estrela, nada mais importa.-GVP

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013





-Sabe Senhor? Vou ao Círculo.
A sua felicidade  fez com que o  homem do café, solícito,  trocasse   20 euros em moedas para o parquímetro e ainda a sorrir nos desejasse Feliz Natal.
Aos oito anos nunca tinha visto um circo, sonhava com os palhaços...
Uns lindíssimos olhos negros beberam avidamente palhaços, malabaristas e cãezinhos amestrados.
Não sabia se batia palmas ou continuava a comer as pipocas.
O gelado arrepiou-lhe os dentes.

Com num passe de mágica, não imaginam a quantidade de coisas maravilhosas que existem dentro  de uma conhecida e desinteressante cadeia de fast food!
Tem dias em que o Mundo só é feito de cores felizes. 
Eu estou feliz porque a felicidade das cores que pintam o Mundo contagia. -GVP 


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013


Uma escolha triste mas necessária, tornar pública esta situação 


 Um desabafo

Desde Domingo passado que estou a pensar se vale a pena falar desta assunto aqui no FB, não é por nada é só porque estamos nas vésperas do Natal e eu fiquei profundamente triste. Sim triste, porque surpreendida e indignada já não consigo ficar. Estas coisas fazem com que a enorme tristeza absorva todos os outros sentimentos.

Fui contactada telefonicamente, na qualidade de encarregada de educação da minha filha Carlota, por uma alegada psicóloga para ir a uma entrevista com a minha filha para receber os resultados dos testes de orientação profissional.
Efectivamente, na reunião de pais do liceu Filipa de Lencastre tinham-me falado num projecto integrado, entre o Ministério da Educação e outras entidades no sentido da realização dos ditos testes de uma forma gratuita.
E foi por isso que acolhi a proposta de entrevista com candura, ou credulidade ingénua se preferirem.

A título excepcional porque alegadamente a dita senhora tinha perdido o meu contacto iria receber-nos Domingo às 16h 30 minutos no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho porque estaria lá a acabar um trabalho.

Fui com a Carlota no dia e hora marcada e agora preparem-se porque é um cenário de twilight zone, completamente irreal.

Porteiro do liceu na recepção, ao Domingo. Sala de espera cheia de encarregados de educação e jovens das mais diversas idades e provenientes dos mais variados estabelecimentos de ensino público.

Depois de uma espera de 20 minutos, chegou a nossa vez. Várias pessoas, em open space, recebiam aleatoriamente pais e filhos para a dita entrevista.
Da tal psicóloga que me havia convocado, nem rasto.
Um homem, que não se identificou, entregou-me uma folha com um gráfico com a escolha profissional da minha filha e disse:

- Então era disto que estavam à espera?
- Mas isto é o resultado de...? -quis eu saber
- Minha Senhora de um questionário (único) que eles responderam.
- e qual é a credibilidade disto?- perguntei já um pouco irritada.
- Nenhuma, eles às vezes preenchem estes questionários em grupo. Mas nós temos um programa muito interessante a inscrição são 50 Euros, a mensalidade são 105 euros durante 36 meses, mas como veio ao abrigo deste projecto Educativo Integrado com os estabelecimentos de ensino público a mensalidade fica em 89.90 euros/ mês durante os tais 36 meses, pode frequentar o curso nas nossas instalações aos Sábados das 16H às 19 Horas ou escolher o horário do Domingo das 9H30 às 12h30.
- E porquê a vossa empresa, não há outras no mercado?
- Deve haver mas nós já estamos nisto há muito tempo.
- Ah...pois devem estar. Olhe e vale a pena eu falar-lhe em publicidade enganosa e fraude e outros ilicitos penaios que de momento não me ocorrem? Não vale, pois não? O senhor tem um ar desesperado de quem está a defender o seu posto de trabalho e provavelmente nem ganha horas extraordinárias ou ganha apenas uma comissão por angariar candidatos. Acontece que isto é um estabelecimento público, aberto ao Domingo, com as luzes eléctricas ligadas, com casa de banho a funcionar e um porteiro à entrada. Olhe muito boa tarde.

O homem apenas baixou os olhos e carregou com uma vergonha que provavelmente não era a dele.

Para uns a vergonha de ter de aprender a sobreviver neste país, para outros os lucros pouco límpidos. - GVP

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013



Gosto de ideias novas, de pessoas criativas, com bom gosto e que não se deixam abater por estes tempos de crise, vou seguir esta página www.For-U-Chic.com

"Nos dias de festa, do fundo das sombras do interior do armário saíam os copos. Saíam claros, transparentes e brilhantes, tilintando no tabuleiro. E para Joana aquele barulho de cristal a tilintar era a música das festas.
Joana deu uma volta à roda da mesa. Os copos já lá estavam, tão frios e luminosos que mais pareciam vindos do interior de uma fonte de montanha do que do fundo de um armário. As velas estavam acesas e a sua luz atravessava o cristal. Em cima da mesa havia coisas maravilhosas e extraordinárias: bolas de vidro, pinhas douradas e aquela planta que tem folhas com picos e bolas encarnadas. Era uma festa. Era o Natal."


Este conto de Sophia de Mello Breyner Andresen reporta-me, todos os anos, para aquilo que de mais belo e simples tem esta época festiva. E a ceia de Natal, tal como é descrita pelos olhos de uma criança, é uma festa  intemporal que quero guardar na memória sempre.
Adoro a beleza simples deste conto.

Gosto de ler a noite de Natal de Sophia, do mesmo modo que gosto todos os anos de ler Conto de Natal de  Charles Dickens,
    
Adoro Ebenezer Scrooge, na imagem acima depois de já ter sido visitado pelos fantasmas :)

Estas são as minhas escolhas de literatura nesta época do ano, gosto de ler estas histórias aos meus filhos (Como tenho filhos com intervalos de dez anos, tenho sempre um interessado nestes contos, depois talvez os netos...)

Outras duas escolhas importantes para mim nesta quadra, são: revisitar o bailado clássico "O Quebra Nozes"
  E passear no Chiado em Lisboa

sábado, 14 de dezembro de 2013


Esta tela de 30 metros, ainda não vi ao vivo, chama-se Mato-Tela é do artista plástico Miguel Barros, normalmente gosto muito dos trabalhos dele.


Desenho de Almada Negreiros, Caricatura de Fernando Pessoa


"Mas nem a dor humana é infinita, pois nada há humano de infinito, nem a nossa dor vale mais do que ser uma dor que nós temos" - Do livro do Desassossego

Ultimamente penso muito nesta frase e é reconfortante- GVP






"O mundo não é o que existe, mas o que acontece" -dito de Tizangara, no Livro de Mia Couto "O último voo do Famingo" Estou a adorar ler :)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Não me arrependo de o ter escrito, o meu primeiro romance. Porém, hoje não o teria publicado pelo menos sem ter a certeza que teria uma boa revisão de texto.
Aprendendo com os erros...

Mesmo assim tenho carinho por ele

As Minhas Origens 

Durante todo o dia o sol assassino fez derreter o alcatrão que rasga a planície. Ao entardecer, já doce e dourado, libertou o aroma dos laranjais.
 A minha terra também cheira a Azhar como os pomares de Andaluzia.
Chegava a noite, o sol era  uma enorme e luminosa laranja no horizonte e  os homens cantavam.
As vozes do Alentejo que me deixam nostálgica, tive saudades do futuro, tive saudades daquele dia…
Uma vila branca, um cântico humano chamando  os fiéis para a oração da tarde, o sol já não queima,  uma mulher de lenço preto  dobra uma  esquina.
Mais em frente, às portas do Sahara, com o sangue a pulsar feliz nas minhas veias, recordei  aquele  dia em que tive saudades, em  os homens cantaram  e a  terra cheirou a laranjas. Então compreendi, tinha finalmente chegado a casa.
 Ao dobrar uma esquina , adivinhei a sombra dos meus dos meus avós mais remotos.-GVP

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No próximo Sábado a minha amiga Paula Vieira vai fazer uma venda de Natal no seu atelier, Av. de Roma nº 59 A.É um evento imperdível, tem jóias fantásticas a preços maravilhosos das 11Horas às 18 horas.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Conversas com a minha vida

I
No limiar das coisas


E foi assim, de repente, quase aos cinquenta anos que descobri que estava no limiar das coisas, na soleira da porta, à entrada.
Há em mim uma inquietude que sempre me fez correr atrás de ti.
Todos os dias te abracei inteira, pelo bem e pelo mal que me fizeste, sem nunca te culpar porque os caminhos eram os meus.
Agora, ao fim de tantos anos, finalmente as escolhas são tuas. Pedes-me paciência.
E o tempo, Vida?


Esta nossa conversa surge assim naturalmente, nascida do tédio dos meus dias iguais. Recuso-me, Vida a não ter uma palavra a dizer.
Hoje é o dia da minha  sombra cinzenta. Aquela que mascaro, aquela que vou  pintando de cores alegres, consciente  mas sem lamúrias, sem sentimentos de auto comiseração.  Eu sou assim, tu sabes Vida vou-te desafiando sempre.
Antigamente, mesmo quando entrava nos lugares mais escuros, eram as minhas escolhas, nunca te culpei de nada, lambi as feridas e segui em frente mas não era  coragem, apenas tentava ser justa contigo.
Acho que já quis ser tanta coisa, nunca fui quase nada. Não podia, estava a fugir de ti. Fui experimentando  outras vidas, vivi dores que não eram minhas até  ter a coragem de te enfrentar. Tinha-te deixado lá atrás, em suspenso.
E sabes, Vida? Afinal era verdade ela continuavas  lá, latente, pulsante, à espera de ser vivida.
Poderás fazer o favor de me deixar entrar ou terei que esperar pela nova viagem?
Eu sei, não é disso que se trata, esperar pela nova viagem. A Vida é esta.

Pedes-me para ser paciente, serei. Mas tenho medo do medo do outro. Aquele medo que só a dor da saudade pode vencer. Quantas Vidas serão precisas para ouvir “Fazes-me falta, aqui, agora, não amanhã?”

Os dias que pesam

Alguns dias pesam tanto.
Porque creio e quero sempre,
nunca fico nos lugares comuns.
Poucas foram as vezes que entrei.
E eu no limiar das coisas e Ela a pedir placidez.
Não posso, sou alada.
Sou do sonho e morro do peso dos dias iguais.-GVP