Sabem que mais? Às vezes as mães também stressam
Um bebé, um lindo bebé, o primeiro, uma emoção difícil de explicar por palavras.
Tudo é perfeito, idílico.
O pai estava comovido com o primeiro neto e até o avô chegou com um ramo de flores para a neta, vinha conhecer o bisneto.
Foi bom olhar para o marido tão feliz. Por aqueles dias ele não andava , flutuava pela clínica em Estado de Graça. Agradecia-lhe incessantemente o primeiro filho, um rapaz.
A amiga trouxe um cueiro lindíssimo e na casa nova havia já um quarto muito bonito à espera do menino.
Um ano depois, chegou a menina. Perfeito, o “casalinho piroso”, o menino e a menina .
O Mundo todo pintado a cor-de-rosa.
Pela primeira vez, o marido, sempre tão calmo, andava de mau humor. Respondia -lhe torto, até na presença da empregada! Tudo devido à espera da tão ansiada promoção no emprego. Tinha que ser paciente, aquilo estava a deixa-lo tenso.
Riu-se quando a amiga lhe disse: “Despacha a ucraniana, vi a mulher a fazer olhos de carneiro mal morto para o teu marido”.
O marido era um paz de alma, mas nunca fiando... Depois da segunda gravidez estava a ser difícil livrar-se daquelas gordurinhas na barriga. Senão tivesse cuidado ainda ficava pior que o Boneco da Michelin.
Tinha que se livrar das gorduras extra e tinha que se livrar da empregada ucraniana.
Andava muito cansada, entre preparar as festas de aniversário dos filhos e um curso de formação profissional que iria ministrar em horário pós laboral.
Mas valia a pena, iria finalmente fazer “aquela viagem” só com o marido, as crianças desta vez ficariam com a avó.
Chegava a casa exausta. Cinco minutos estendida no sofá antes de ir à casa de banho tirar as crianças da banheira, onde o pai as tinha deixado de molho. Mas nem cinco minutos esteve no sofá, uma dor lancinante no rim direito. Era uma Tartaruga Ninja, esquecida pelo filho no sofá da sala quem assim lhe picava o rim.
E eis que no primeiro jantar das tais férias a dois o marido lindo, todo bronzeado, lhe fez a seguinte declaração de amor: “Já sei que vais ficar zangada comigo mas hoje reparei que estás a ficar gorducha. Não faz mal minha querida, sabes que gosto de ti de qualquer maneira. Pronto, agora já estás amuada…”
Com os dois filhos na faculdade, o rapaz a fazer Erasmus tinha finalmente mais tempo livre, até já ia ao ginásio!
Mas o marido andava outra vez tenso com a vida profissional. Para dizer a verdade, andava insuportável. Para não chorar com a crueza de algumas palavras, fugia para almoços com as amigas.
Um dia, a descer a Avenida, encontrou a sua paixão de miúda.
Ali estava ele, envelhecido sim mas muito bem perfumado e com uma lindíssima gravata, pronto para uma reunião de negócios.
Dada a actividade profissional do marido, raras vezes usava uma gravata.
Combinaram lanchar, afinal eram amigos há muitos anos e nunca tinha sido namorados. Dois bons amigos que falaram dos respectivos casamentos, dos filhos, da vida profissional de cada um, de tudo e de nada.
Ele era educado e ouvia-a com interesse. Ele parecia beber cada uma das palavras dela. Quando se despediram, fez-lhe uma festa no rosto e tirou-lhe um cabelo do casaco. Não foi atrevido, foi só atencioso.
Falou ao marido daquele encontro.
Da segunda vez almoçaram juntos ele disse-lhe: “às vezes penso como teria sido a minha vida se tivesse ficado contigo.”
Mas não tinha ficado, em jovem escolheu ficar com outra.
Sim, era agradável ouvir dizer como estava mais bonita. Ouvir dizer que era uma mulher linda e muito interessante.
Não, aquilo já era atrevimento. Bebeu um pouco de água fria e despediu-se do amigo, tinha de chegar cedo a casa. Naquela noite o filho mais velho regressava de Barcelona.
Era uma mulher pré-menopausica a receber mensagens apaixonada do homem por quem tinha suspirado a vida toda até conhecer o marido.
Há muito tempo que não tinha os dois filhos juntos em casa. Era véspera de Natal e o marido estava de férias.
Jantavam os quatro em casa, à luz das velas. Um bom vinho e os filhos já adultos.
O marido, que sempre tivera muita dificuldade em expressar os seus afectos, fez-lhe uma festa no cabelo e arrancou-lhe, dolorosamente, um brinco de uma orelha.
“Mãe, está a chorar?!” perguntou o filho sempre atento.
“Sim meu querido mas estou feliz. É que nós as mães, às vezes, também stressamos” -GVP
Adorei, Germana. Não mais do que uma realidade comum. Lindamente escrito. Até breve. Beijo grande.
ResponderEliminarObrigada, Beijo
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